TV a cabo e TV Internativa/Telebrasília

Revista TENDÊNCIA – RJ

Assuntos: TV a cabo e TV Interativa/Telebrasília

Maio de 1994

Em um apartamento de uma certa Superquadra de Brasília moram Antônio, José e Maria. Não há ninguém em casa. O telefone toca três vezes e ninguém atende. Na quarta vez, a ligação cai diretamente no serviço especial da telefônica. Um amigo de José deixa um recado para ele. Quando chega em casa, José digita sua senha e fica sabendo qual é o recado deixado pelo amigo.

 Este é apenas um dos serviços em fase de implantação pela Telebrasília, que a partir do 2º semestre deste ano e início do próximo começa a colocar o morador de Brasília cada vez em contato mais íntimo com as maravilhas da tecnologia do 1º Mundo. Além da tradicional TV a cabo, com serviço de teledifusão, os brasilienses passarão a otimizar o uso tanto da TV como do telefone com o acesso aos mais variados serviços, como cursos particulares em casa, pela TV, consultas de saldos bancários, pesquisa de  preços de supermercados (com as compras também podendo ser feitas pela TV). E mais: não haverá necessidade de ter fax ou secretária eletrônica em casa, pois será oferecido pela empresa telefônica um serviço que substituirá estes dois equipamentos.

Mas as “modernidades” não acabam por aí. Numa etapa posterior, será implantado o que há de mais moderno e cômodo: o chamado “video on demand”, uma verdadeira locadora de vídeo particular, exclusiva e de fácil acesso, já que não será nem preciso sair de casa. O usuário escolhe o filme ou espetáculo que deseja assistir, no horário que ele próprio determinar, e pagará por cada exibição que requisitou.

 

VIDEO-REDE E REMAV

 

São na verdade dois tipos de empreendimentos distintos. O que se destina aos usuários de TV a cabo foi denominado de “video-rede”.  Trata-se da primeira rede pública de transporte de sinais do País, segundo explica o engenheiro Sérgio Assenço, gerente da Unidade de Negócios/ Telecomunicações Avançadas da Diretoria de Operações da Telebrasília.  As provedoras de serviços de TV a cabo vão poder atender aos seus clientes através dessa rede única e pública que se destina a evitar o caro e confuso emaranhado de redes existentes em outras cidades do Brasil e do mundo. Toda essa infra-estrutura estará concluída no 2º semestre deste ano e deverá entrar em funcionamento em janeiro do ano que vem. A previsão inicial é de 80 canais, podendo evoluir para 200 canais numa segunda fase, e em seguida para 500 canais, quando então começa a operar o serviço de “video on demand”.

Inicialmente, a rede pública de transporte estará disponível, através de licitação, para 3 grandes provedores de serviços. Além dos canais obrigatórios e gratuitos (ou seja: as emissoras de TV locais, já existentes), esses provedores de serviços terão que reservar 16 canais codificados, não interativos (com programação normal de teledifusão), e 3 canais para programas interativos e bi-direcionais (como consulta a  extrato bancário e outros serviços do gênero). Além disso, através de pequenos geradores de uso temporário, o usuário poderá ter acesso a cursos pela TV, como Inglês, medicina no lar e outros de interesse comunitário. Um canal será ainda destinado à transmissão de programação dos Três Poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário) e outro à comunidade científica e cultural local, o que já provocou o interesse imediato da UnB (Universidade de Brasília), segundo informa Sérgio Assenço.

Os canais interativos se destinam a facilitar enormemente a vida do usuário, com a oferta de serviços como “home-bank” ou “home-shoping” – para uso dos serviços de banco e do comércio, que permitirão não apenas a consulta de preços em toda rede de lojas e supermercados, como também a realização de compras sem sair de casa, com entrega a domicílio. O consumidor terá a oportunidade, desta forma, de pesquisar o preço de cada produto em vários supermercados e escolher o que comprará em cada um deles, com total comodidade.

A TV interativa também permitirá enorme facilidade no que diz respeito às pesquisas que são feitas, por exemplo, durante as eleições presidenciais, ou para saber as preferências do telespectador com relação à programação, uma vez que será possível ter o controle daquilo que cada usuário está assistindo por sua televisão, sem precisar consultá-lo por telefone.

 

REMAV OTIMIZA O TELEFONE

 

A segunda grande iniciativa é a implantação da REMAV – Rede Metropolitana de Alta Velocidade, que deverá estar concluída já no 2º semestre deste ano. Entra em operação o SPM – Serviço Público de Mensagem, através do qual o usuário poderá acessar vários serviços por telefone, entre os quais o de secretária-eletrônica,  uma verdadeira “caixa postal” para recados, e serviços de fax-virtual, entre outros.

Através desses serviços, o usuário poderá programar seu telefone para que, após soar a campaínha por um determinado número de vezes, a ligação seja conectada automaticamente com a central telefônica, que “guardará” recados que podem ser personalizados para cada um dos moradores da residência. Ao chegar em casa, o usuário digitará seu código secreto e somente ele terá acesso ao recado.

O serviço de fax é similar: mesmo sem possuir tal aparelho em casa, o usuário poderá divulgar seu número de telefone como se fosse um fax, e as mensagens ficarão armazenadas na central telefônica, de onde poderão ser “requisitadas” pelo assinante do serviço através de um aparelho de fax a que tenha acesso. Equivalerá, portanto, a um aparelho de fax ligado 24 horas por dia, por uma taxa mensal  equivalente a 5 dólares, aproximadamente.

Em relação à video-rede, Sérgio Assenço explica que a Telebrasília oferecerá apenas a infra-estrutura, ou seja, a rede única de transporte de sinais. O usuário que quiser ter acesso ao serviço de TV a cabo terá que entrar em contato com as provedoras, que se encarregarão de oferecer a programação e os demais serviços de interesse do consumidor. No Brasil, atualmente, os serviços de TV a cabo são oferecidos por uma taxa mensal que varia de 25 a 40 dólares.

 

TV A CABO AGUARDA REGULAMENTAÇÃO

 

 

A Telebrás – holding que controla 27 empresas estaduais no setor de telecomunicações no país, mais a Embratel, coordena e uniformiza o procedimento no que diz respeito ao serviço de TV a cabo, cujas concessões estão suspensas desde 1992, quando foi anulada a portaria número 250, do Ministério das Comunicações. Até aquela data, um total de 106 concessões foram concedidas a empresas privadas. São as permissionárias que oferecem programação para as TVs a cabo espalhadas por todo o país.

Novas concessões dependem ainda de regulamentação do serviço através do Congresso Nacional. Está sendo negociado um substitutivo ao projeto de autoria do deputado Tilden Santiago (PT-MG), sem que haja previsão quanto à data de sua votação.

Enquanto não sai essa regulamentação, a Telebrás baixou resolução interna, datada de 5 de janeiro deste ano, na qual orienta suas empresas estaduais sobre como procederem com as empresas privadas interessadas no transporte de sinais para TV a cabo. Essa resolução se destina apenas a uniformizar, no campo operacional, o procedimento para as empresas que desejam levar seus sinais de teledifusão de um ponto a outro, segundo explica Luiz Teixeira de Matos, gerente do Departamento de Planejamento e Desenvolvimento de Serviços da Telebrás.

Para quem não sabe, a TV a cabo não exige do usuário do serviço a instalação de equipamentos ou de antenas especiais. O engenheiro Luis Paulo Veiga Nunes Pereira, também da Telebrás, explica que além do aparelho de TV comum, o usuário final precisa apenas instalar um codificador-decodificador em sua televisão para receber a programação em casa, mediante o pagamento de uma  taxa mensal a uma das atuais 106 permissionárias em todo o Brasil, sem contar as redes que operam sem a devida regulamentação.

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