Revista TENDÊNCIA – RJ
Assunto: Entrevista com FHC sobre o Plano Real
(Data de publicação não identificada – Primeira disputa presidencial de FHC)
Austeridade. É isto o que promete o candidato do PSDB à Presidência da República, senador Fernando Henrique Cardoso (coligado com o PFL e PTB), caso seja eleito. Em defesa do Plano idealizado quando ele era ministro da Justiça, Fernando Henrique Cardoso diz que, sem inflação, o país já adquire um incentivo para a retomada do desenvolvimento, e defende a reforma constitucional como indispensável para a consolidação do plano econômico que criou o Real.
A seguir, a entrevista exclusiva do candidato à revista TENDÊNCIA:
Pergunta: Como o PSDB/PFL/PTB pretendem administrar o plano econômico do Real, caso o candidato da coligação seja eleito presidente da República?
FHC – Vamos ter um governo austero. Em nenhuma hipótese, eu permitirei que se gaste mais do que se arrecada, que se façam despesas irresponsáveis. Manter o orçamento equilibrado é fundamental para o sucesso do plano e é isso que será feito em meu governo.
Pergunta: Quais as medidas necessárias para a complementação do plano?
FHC – As reformas fiscal e tributária, além de uma reforma profunda na estrutura do Estado. Estou certo de que conseguiremos a maioria necessária no Congresso para promover essas mudanças no próximo ano. Temos que cortar privilégios, redistribuir competências, racionalizar gastos e aumentar a receita total do governo, sem sobrecarregar ainda mais os que já pagam impostos.
Pergunta: Como será promovida a etapa de incentivo ao desenvolvimento?
FHC – O fim da inflação é o maior incentivo ao desenvolvimento. O Real vai levar a inflação a patamares civilizados, isto é, muito baixos, e logo teremos um aumento substancial dos investimentos na produção, tanto do capital externo como do interno.
Pergunta: Que alterações na Constituição são indispensáveis ao sucesso do plano econômico?
FHC – Como já disse antes, será preciso promover reformas na estrutura do Estado. As reformas tributária e fiscal são fundamentais e eu espero sair das eleições deste ano com uma maioria política consistente, que me garanta obter do próximo Congresso o aval necessário para efetuar estas reformas.