Jornal Terceiro Tempo – Edição não localizada nos arquivos
Publicada no final dos anos 1990/ano 2000
Tudo começou com os Sete Anões do orçamento. A população ficava Branca de Neve com vergonha de tanta corrupção. No País das Maravilhas, era necessário atravessar Vinte Mil Léguas Submarinas para conseguir se eleger. Veio primeiro O Chefão e conseguiu. Manteve-se por algum tempo, fingiu caçar marajás, desceu a rampa com sua boneca Barbie e pouco tempo depois, quem diria, foi parar no Irajá. O topete que o sucedeu ficou por curto período. Não merecia governar por mais tempo, nem Se o Meu Fusca Falasse.
Aí foi a vez do Pinóquio. Subiu no palanque e mentiu para o povo: “Nunca Te Vi, Sempre Te Amei”. Como se considerava O Príncipe, inventou o Real, numa manobra maquiavélica, e, depois de mostrar o que é bom e esconder o que é ruim, sentou-se n’A Caldeira do Diabo. A partir daí aderiu ao ditado popular: cria fama e deita na cama. Como se fora uma Cinderela, chamou de neo-bobos os súditos, ofendeu João e Maria, provocou Gritos e Sussurros. Fez muitas promessas. E o Vento Levou. Mostrou os cinco dedos das mãos, mas não conseguiu cumprir nem o Pequeno Polegar. Privatizou as telecomunicações e criou a Banda A, a Banda B e a banda podre. Impôs o neoliberalismo, sob o pretexto de que Assim Caminha a Humanidade. Deixou homens e Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos. Diante de adolescentes, num programa de TV, parecia O Lobo Mau. Por Um Punhado de Dólares construiu A Trilha dos Desalmados, deixou a Terra em Transe e matou O Bebê de Rosemary. Com a recessão massacrando os salários e com o alto índice de desemprego, ninguém consegue mais Um Lugar ao Sol. Ele e seu grupo querem ficar no Poder por 20 anos. Consideram-se Os Intocáveis. Mas o fato é que, numa administração pouco asséptica, ele fez ressurgir no país epidemias já erradicadas que nem o Doutor Jivago consegue curar.
Começou a desandar, na verdade, desde quando parafraseou o milico de tempos atrás. O milico pediu: “Me esqueçam”. Ele plagiou: “Esqueçam o que eu escrevi”. Já eleito, ao lado da primeira-dama numa foto, foi convidado a escolher a legenda. Lembrou-se de seu conceito a respeito de quem se aposenta antes dos 50 e escreveu em baixo da foto: “A dama e o Vagabundo”. Toda sociedade agora já sabe: O Rei está nu.