Eleições gerais (I)

Revista TENDÊNCIA – RJ

(Data não identificada)

Assunto: Eleições gerais – Números/cifras

Cem milhões de eleitores; 35 mil candidatos; 1.700 vagas. Estes são alguns dos fantásticos números das eleições gerais deste ano, que deverão movimentar, segundo as estimativas, algo em torno de US$ 3 bilhões. Ou mais, dependendo da voracidade dos candidatos pelo Poder e do nível de acirramento das campanhas, que podem exigir mais e mais investimentos. Há quem diga, por exemplo, que só Orestes Quércia tem quase US$ 1 bilhão guardados para a campanha.

Os parâmetros de avaliação são imprecisos, uma vez que a nova legislação fala em limites que podem se expandir no calor da disputa, já que há tetos de financiamento, mas não há certamente um mecanismo eficaz de detectar todas as “ajudas” sem recibo. De qualquer modo, os especialistas em marketing político já fazem os cálculos, e a única certeza é de que não será uma eleição barata.

Quem tem experiência garante: para se eleger governador pode ser preciso gastar algo em torno de US$ 5 milhões. Para senador a despesa pode alcançar US$ 2 ou 3 milhões, enquanto um candidato a deputado deve reservar uma “caixinha” de US$ 1 milhão. Deputado estadual vai gastar menos, é lógico: algo como US$ 200 mil. Para presidente da República, o céu é o limite.

Tirando o cargo de presidente da República, cujo universo de votantes é o País inteiro, nos demais casos as cifras variam de Estado a Estado. Uma eleição para deputado federal por São Paulo, é óbvio, fica mais cara do que pelo Amapá, mas não é de hoje que esses “limites mínimos” são apontados como parâmetros aceitáveis, na média. Quem puder, que se cuide, porque a parada é dura. O que vai ser gasto globalmente nas eleições deste ano equivale a cerca de 7 vezes o montante investido pelas empresas brasileiras na Copa do Mundo. Isto, tomando-se como base a avaliação de US$ 3 bilhões.

A lei nº 8.713, de 30 de setembro de 1993, fixou os limites: as doações e contribuições, no caso de pessoa física, ficam limitadas a dez por cento dos rendimentos brutos no ano de 1993, e no caso de pessoa jurídica, a dois por cento da receita operacional bruta no ano de 1993. A própria lei faz e desfaz: esses limites percentuais podem ser ultrapassados, diz o parágrafo seguinte, mas novos tetos, para disciplinar o excesso, são estabelecidos: no caso de recursos provenientes de pessoa física, não podem somar mais do que 70 mil UFIRs. Quanto aos recursos vindos das  empresas, esse limite é de 300 mil UFIRs para cada campanha. Os experts garantem: não dá. Os tetos estabelecidos equivalem a dizer que pessoas físicas poderiam contribuir com algo como US$ 35 mil  e as empresas com cerca de  US$ 180 mil para cada campanha. Vai continuar entrando recurso por debaixo do pano.

 

 

ELEIÇÃO “CASADA” ESTABELECE RECORDE

 

 

Legalismos e ilegalidades à parte, o fato é que nunca se viu no País eleição em tais dimensões. Estará indo às urnas a população de nada menos do que 4.974 municípios de todo o Brasil, num total de 2.530 zonas eleitorais, com um juiz por zona. São, ao todo, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, 275 mil seções eleitorais, com predominância total do voto do interior. Os dados são também do TSE: 76,49% são de eleitores do interior, enquanto as capitais contribuirão com apenas 23,51%.

 

VOTANTES SOMARÃO 100 MILHÕES

 

O TSE trabalha com a estimativa de que, até a data da eleição – 3 de outubro – estarão cadastrados 100 milhões de eleitores, ou seja, cerca de 10 milhões a mais do que os quase 90 milhões que até março já estavam de posse de seus títulos de eleitor.

A distribuição, por faixa etária e por sexo, evidencia o equilíbrio entre os votos feminino e masculino, e mostra que o maior número de eleitores está na faixa entre 25 e 34 anos de idade.

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