A “juventude”, a “velhice”, a burrice, a sabedoria e o terrorismo…

É muita coisa numa tacada só, mas essa reflexão veio-me em decorrência dos acontecimentos no mundo e em minha própria vida…

Conheci recentemente duas jovens na idade, com as quais passei bons momentos. Uma tem 24 anos, a outra, 28. São apenas 4 anos de diferença entre elas, o suficiente para que a de 28 se mostrasse mais sábia do que a de 24, embora essa de 24 também demonstrasse certo grau de sabedoria.

Uma das coisas que se aprende com a idade é que nada passa despercebido. Obviamente há pessoas de certa idade que nunca atingem a maturidade, menos ainda a sabedoria. Mas são casos bem raros, normalmente agravados pelo ambiente em que vivem, ou seja, pelas pessoas com as quais convivem.

Só que a juventude, quando é arrogante, normalmente se esquece de um detalhe importante: nós, os ditos “velhos”, já tivemos a idade dos ditos “jovens”, que obviamente nunca tiveram a nossa idade e, sendo aparentemente jovens, quando arrogantes (nem todos os jovens o são) pretendem ser sábios, quando muitas vezes (ou na maior parte das vezes) não sabem de nada.

O mínimo que temos a mais é a experiência de vida (mas não é tudo o que temos a mais), porque já fomos o que eles dizem ser (“jovens”, mas nem todo “jovem” é jovem) e eles nunca foram o que somos (“velhos”, mas nem todo “velho” é velho).

Não se trata apenas de uma questão conceitual ou preconceituosa. O “jovem” quer muitas vezes julgar o que nunca foi (“velho”), enquanto o “velho” tem no mínimo a experiência de ter sido jovem para avaliar o que já foi e o que é “ser jovem”. Dito isso tudo, evidentemente, numa perspectiva apenas cronológica, posto que há muito “jovem” que é muito velho, e muito “velho” que é muito jovem.

Mas vamos avançar até a questão do terrorismo, para ao menos variar um pouco em relação a tudo o que tem sido dito nos dias que se sucederam aos atentados na França.

Vocês já viram a cara dos terroristas? São todos jovens, ou “jovens”? Enxergaram sabedoria neles? Estão desperdiçando a juventude, ou a “juventude”, quando matam tanta gente, e matam a si mesmos?

Eu sei, eu sei. A questão é mais complexa, envolve muito mais coisas. Mas se fôssemos citar tudo o que está envolvido, daria mais de 100 páginas, para dizer o mínimo. E sei também que há terroristas “velhos”… ou velhos? Só que eles normalmente estão na “linha de comando”. Quem explode e se explode são normalmente os jovens… ou “jovens”?

Estou esperando a chuva de críticas, esculhambações e revoltas diante dessas minhas palavras. Não me importo. Sou suficiente velho (ou “velho”) para suportar. Porque mais do que nunca o que me parece claro é um preceito que muitas vezes parece escapismo, mas que a realidade dos dias atuais revela como verdadeiro e inquestionável: a juventude não está no corpo, mas sim na cabeça. Parece óbvio, mas muita gente não percebe. Principalmente os que se julgam jovens, mas que na verdade não passam de “jovens”, merecedores de aspas, pelo menos até se tornarem, no mínimo, suficientemente sábios, o que ainda estão longe de ser.

Post-scriptum: Havia um “velho” sábio famoso por nunca ter sido desacreditado em sua sabedoria. E um “jovem” que se disse capaz de desafiá-lo. O “jovem” disse ao amigo: vou desmascarar esse “velho”. Vou colocar em minhas mãos um pássaro e perguntar a esse sábio se o pássaro está vivo ou morto. Se ele disser que está vivo, eu esmago o pássaro em minhas mãos e vou provar ao sábio que ele errou. E se ele disser que está morto, eu abro as minhas mãos e deixo o pássaro voar. Não há jeito desse “velho” sábio acertar.

Foi lá e perguntou ao sábio, com a arrogância dos “jovens”: o senhor não diz que é sábio? Então me responda: este pássaro que está em minhas mãos está vivo ou morto?

Ao que o sábio respondeu, com a simplicidade dos sábios:

“A vida deste pássaro, meu caro jovem, está em suas mãos.”

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Moral da história: para um jovem arrogante, nada melhor do que um velho sábio

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